O Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA), por meio da Deliberação Normativa nº 01/2014, iniciou o processo de formalização prática para os municípios do Estado de São Paulo exercerem a competência para licenciar empreendimentos e atividades potencialmente poluidores, com impacto exclusivamente local, ou seja, que não ultrapasse o território do Município, tendência que já vem se consolidando também em outros Estados, a exemplo do Rio de Janeiro[1].  

A necessidade de regulamentação do tema é antiga, decorre do disposto no artigo 23 da Constituição Federal e da Lei Complementar nº 140/2011 no que concerne à competência comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios a respeito da proteção ao meio ambiente e combate a toda e qualquer forma de poluição. Até que a definição sobre o licenciamento ambiental em âmbito local ocorresse, o licenciamento de atividades com impacto local acabava permanecendo com os órgãos ambientais estaduais.  

Com base na Deliberação do CONSEMA, para os Municípios do Estado de São Paulo serem considerados aptos a licenciar deverão atender, entre outros, aos seguintes requisitos: 

I - possuir órgão ambiental capacitado com técnicos próprios ou em consórcio; 
II - dispor de equipe multidisciplinar com profissionais qualificados, legalmente habilitados por seus respectivos órgãos de classe e com especialização compatível; 
III - manter um Conselho Municipal de Meio Ambiente, de caráter deliberativo, com funcionamento regular, e composto paritariamente por órgãos do setor público e entidades da sociedade civil; 
IV - sustentar um sistema de fiscalização ambiental capaz de garantir o cumprimento das exigências e condicionantes das licenças expedidas. 

Caso os Municípios não possuam a estrutura necessária caberá ao órgão estadual, ou seja, à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo ("CETESB"), desempenhar as ações necessárias para o licenciamento de atividades e empreendimentos de impacto local. 

A título de exemplo, as seguintes atividades poderão ser licenciadas em âmbito municipal: obras de transporte, hidráulicas e de saneamento; complexos turísticos e de lazer; linhas de transmissão até 230kv e subtransmissão até 138kv e subestações associadas; fabricação de determinados produtos alimentícios, têxteis, embalagens, de higiene e eletrodomésticos. 

A CETESB ainda ficará exclusivamente responsável pelo licenciamento de atividades e empreendimentos que implicarem na supressão de vegetação do Bioma Cerrado e nos casos de emissão de poluentes atmosféricos acima de certos parâmetros, entre outras hipóteses.  

Cumprindo o enquadramento previsto na Deliberação e, ao mesmo tempo, colocando em prática a competência comum constitucionalmente prevista para a prática do licenciamento local, mais de 40 (quarenta) Municípios comprovaram o preenchimento dos requisitos e poderão passar a licenciar, por exemplo: São Paulo, Campinas, S. B. do Campo, Santo André, Ribeirão Preto, Araraquara, Sorocaba, Guarulhos, Barueri. 

Os licenciamentos em andamento pela CETESB deverão ser concluídos por esse órgão ambiental até a emissão da Licença de Operação ("LO") ou o indeferimento da licença, já as renovações serão realizadas pelos órgãos ambientais municipais.

Apesar de essa Deliberação delimitar o licenciamento ambiental em âmbito municipal, provavelmente surgirão algumas controvérsias entre os órgãos ambientais municipais, estaduais e até mesmo com o Ministério Público nos casos concretos