Com o advento da recente Reforma Trabalhista, os ânimos se exaltam em debates que ora defendem a adoção das novas tecnologias nas relações de trabalho, ora a rechaçam sob a alegação de que tal fenômeno exclui do mercado diversos trabalhadores.

Assim como ocorreu no início do século XIX, no período inicial da Revolução Industrial, quando os adeptos do Ludismo, movimento de trabalhadores que pregava a destruição das máquinas, atuavam com o intuito de salvaguardar aqueles que perdiam seus postos de trabalho em razão da evolução tecnológica da época, tal cenário se repete, ressalvadas as peculiaridades da atualidade.

Segundo aquele movimento social, a adoção do maquinário industrial que começava a ser utilizado modificava o padrão de indústria e produção, de forma que tal movimento ficou conhecido como a reação dos trabalhadores ao progresso técnico da época.

Nos dias atuais, a sociedade globalizada se vê diante de uma nova revolução tecnológica que impacta a realidade do mercado de trabalho, da mesma forma como ocorreu na Inglaterra do século XIX. Nesses contextos, a sociedade depara com a necessidade iminente de reinventar a relação do homem com o trabalho.

Portanto, na atualidade não há como nos insurgirmos contra essas inovações. Muito pelo contrário, o esforço necessário será no sentido de absorvermos tais melhorias.

Diante desse cenário, surgem novas modalidades de trabalho que são baseadas no uso de tecnologia para sua realização, tal como o teletrabalho, que permite que o trabalhador realize sua jornada de forma remota, sem que haja a necessidade de seu deslocamento até o local do emprego.

Muito em breve, com o advento de novas tecnologias que facilitam a comunicação, tal como a rede de conexão móvel 5G, será possível a presença das pessoas em diversos lugares e de forma simultânea, visto que a intensidade do tráfego de dados em rede móvel de celulares será densa a ponto de proporcionar instantânea comunicação, razão pela qual essa tecnologia causará grande impacto nas relações sociais, inclusive na relação de trabalho.

Isso porque a possiblidade de comunicar-se de forma tão instantânea modificará o fluxo de transporte e a movimentação diária de trabalhadores, pois permitirá a comunicação em banda larga de grande parte deles, o que por vezes evitará a necessidade de deslocamentos diários até seus postos de trabalho.

Assim como as diversas facilidades tecnológicas modernas, tal forma de conexão causará significativa alteração na relação dos cidadãos com o trabalho, especialmente nos grandes centros urbanos.

Entre outras inovações, essa tecnologia, já em teste em diversas localidades do planeta, permitirá a comercialização de carros autônomos e a implementação de novas tecnologias, como computação em nuvem. Portanto, não se trata de mais um “G”, mas sim de uma nova era na comunicação móvel.

Diante de tais questões e da iminência dessa transformação no mercado globalizado, questiona-se se nossa sociedade e Estado estão prontos para absorver tal transformação, bem como os impactos dessas novidades nas relações de trabalho.

O que se tem até o momento é que essas inovações não poderão ser combatidas ou mesmo negadas, visto que tal evolução é um ponto sem retorno. Portanto, assim como já ocorreu em outros momentos da história, aqueles que são reativos contra as inovações tecnológicas não serão lembrados como protagonistas, mas sempre meros coadjuvantes que não souberam lidar com os novos tempos.

Assim, parece-nos mais adequada uma postura menos reativa às inovações, sempre pensando em como tais tecnologias poderão servir aos interesses comuns da sociedade, pois de forma inevitável, assim como já está acontecendo, deveremos incorporá-las ao nosso sistema produtivo.