Se está a pensar entrar no mundo das pequenas e médias empresas vai precisar de financiamento como de pão para a boca. Quando os seus olhos se abrirem dentro da incubadora do hospital, é um financiador que vai encontrar do outro lado da vidraça a acenar para si. Ele vai chegar sem ser convidado e vai estar ao seu lado quando disser a primeira palavra. E já que vai ter de levar com ele tanto tempo, aconselho que o escolha bem.

Para lhe facilitar a vida, a Startinnovation Team sentou-se à mesa com os dois tipos de financiamento mais utilizados por Startups. Viemos tentar perceber aquilo que cada um tem para dar à sua empresa. Dar é como quem diz, vender, porque no mundo dos financiamentos não há almoços grátis.

Demos a primeira palavra ao debt financing. Debt financing é um nome complicado. Vamos mudá-lo: empréstimo que tem de ser devolvido. É mais intuitivo e reflete exatamente aquilo que é o debt financing, um empréstimo. A expressão é abrangente, e nela podíamos incluir a compra mais banal com cartão de crédito ou aquele dinheiro que emprestámos ao nosso primo para levar a namorada a jantar fora. No que a Startups diz respeito, este tipo de financiamento é associado a empréstimos contraídos junto da banca, o qual deve ser pago num certo período de tempo, acrescido de juros. Justamente, a primeira vantagem deste tipo de financiamento reside na sua definição – é um empréstimo – como tal, uma vez pago, põe fim à relação entre o que paga e o que recebe. Por outras palavras, o banco não fica com controlo sobre o negócio. A consequência? Os planos de pagamento são muitas vezes demasiado onerosos para quem está a dar os primeiros passos na vida empresarial. No limite podem até hipotecar as possibilidades de crescimento, na medida em que os prazos nem sempre são favoráveis ao empreendedor e o atraso no pagamento significa um acréscimo nos juros.

Ainda no que respeita às condições subjacentes ao empréstimo, existem dois fatores a ter em conta, e cabe ao empreendedor decidir qual valoriza mais. Por um lado, o pagamento da dívida acrescida de juros é considerado um gasto dedutível em sede de IRC, o que pode reduzir o impacto/custo total do empréstimo. Por outro, é quase sempre exigido que o devedor (empreendedor) preste uma garantia sobre todo o seu património pessoal (aval), o qual será devidamente ‘atacado’ pelo banco caso a dívida não seja paga atempadamente.

A melhor forma de lhe explicar o que é equity financing seria através de um live streaming do programa shark tank, mas vejamos no papel uma explicação que irá tentar ser prática. Equity financing é uma moeda com duas faces. De um lado existe um investimento, que pode ser feito por qualquer entidade, mas no que ao nosso tema diz respeito, vamos assumir que é feito por investidores cujo negócio é realmente investir em empresas (business angels e empresas de capital de risco são bons exemplos). Este investimento é feito por conta e risco do investidor, isto é, o empreendedor não fica obrigado a pagar de volta, e beneficia de todas as vantagens inerentes a não ter um encargo mensal perante um banco. Em contrapartida, o empreendedor fica obrigado a dar ao investidor uma percentagem da sua empresa. Na prática isto significa que o investidor não só vai ter direito a receber lucros da empresa (muitas vezes prioritários), como vai ter uma palavra a dizer nas decisões da vida da mesma.

Antes que decida qual o melhor tipo de investimento para a sua empresa, permita-nos fazer mais dois apontamentos sobre equity financing. Uma das vantagens do equity financing é tratar-se verdadeiramente do chamado smart money. Por outras palavras, neste tipo de investimentos, regra geral, o dinheiro recebido provém de entidades com muita experiência em negócios, os chamados tubarões, que podem providenciar à pequena empresa um know-how digno de quem está na vida empresarial há vários anos. Num mercado altamente concorrencial, beneficiar deste tipo de conhecimentos pode ser uma excelente rampa de lançamento. Por outro lado, estes investidores procuram ter grandes participações no capital da empresa e poder de decisão, o que significa abrir mão de uma parte dos lucros e do total controlo da mesma, sem esquecer que para recuperar o controlo da empresa será necessário comprar a parte do investidor e reembolsá-lo dos investimentos. E pode ter a certeza que não será barato.